quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A minha primeira vez


À noite, sem trânsito, sem pessoas.

Na cidade despida, as luzes incendiavam as ruas. Os carris, o alcatrão deteriorado, o paralelo sinuoso e assim, um silêncio interrompido.

Só senti a face gélida e as mãos doridas depois de ter chegado a casa.

Ontem andei de mota em Lisboa, pela primeira vez.

Tenho medo de motas. Mas foi incrível.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cairbou- Sun


Chuva, chuva, chuva sem parar.
Não tenho nada contra o frio, mas tanta chuva devia ser proibida.

Ouço vozes na minha cabeça: sun, sun, sun, sun, sun...

La belle parisienne

Francesa, actriz, cantora.  Lou Doillon antes de ser famosa, já o era. Filha da actriz Jane Birkin e do realizador Jacques Doillon, o estrelato acompanha-a desde sempre. Como diz o ditado, "filho de peixe sabe nadar"!

A sua irreverência e bom gosto tornaram-na num ícone de moda. Prova disso é ter sido eleita para a nova campanha Primavera/Verão da Chloé (ver postagem anterior).

Em Paris, o The Selby is in Your Place fotografou a casa de Lou e o resultado é fabuloso.

A decoração dos espaços combina elementos vintage com objectos modernos, tudo revestido com uma aura muito parisiense. O espírito boémio de Lou é visível em todos os detalhes.

Quando for grande quero ter uma casa assim. Não precisa de ser em Paris, mas se for, tanto melhor!



 







Spring/Summer feeling







Chloé Spring/Summer14
Lou Doillon e Julia Stegner, por Inez & Vinhoodh 

Adoro o look e o facto de terem escolhido a Lou Doillon para a campanha (apetece-me fazer um post sobre o excelente bom gosto desta rapariga). 

Estamos prontas. Bring on the sun!


A proximidade é um lugar estranho

Quem me conhece sabe que um dos meus (piores?) vícios é usar referências da cultura pop para tudo na vida. Dito isto, há uma frase da série "Community" que não me canso de usar. "I can only connect to people through movies" diz Abed, num dos episódios. A verdade é que, em parte, isto assenta-me bem. 

Tive a felicidade de conhecer pessoas interessantes que, ao longo do tempo, ficaram minhas amigas mas, excluindo este círculo de pessoas maravilhosas, confesso que é-me bastante difícil aproximar de alguém com quem não tenho interesses em comum. Juro que não é preconceito, muito menos falsa modéstia ou arrogância. É defeito, é feitio. É o que quiserem, mas não é intencional.

Talvez por isso, crio relações de enorme afectividade com personagens, actores, escritores, músicos, cineastas, artistas, humanistas que de alguma forma me influenciam no dia-a-dia. Por terem uma visão do mundo e das coisas idêntica à minha ou por, pura e simplesmente, terem capacidades únicas e geniais que admiro. E assim, sempre que alguém de que gosto, do universo mediático, morre, sinto a sua morte como se fosse a de alguém próximo. Alguém bastante próximo. Oh, sim, que cliché! Culpada.

Até há bem pouco tempo não se falava noutra coisa, mas a verdade é que eu não senti a morte de Eusébio. Nunca o tinha visto jogar antes de ter morrido e nem sequer sou do Benfica. O mesmo aconteceu com Mandela, apesar de ter perfeita consciência da importância de Madiba na História da Humanidade. São coisas diferentes: lamentar a morte de uma personalidade e sentir a sua morte.

Por outro lado, senti a morte de Lou Reed. As canções de Velvet Underground acompanharam-me na minha adolescência. Estiveram lá, para me confortar, nos momentos mais depressivos que todos os 16 anos podem proporcionar. 

O mesmo aconteceu com José Saramago. Aí, confesso que verti uma lágrima. Se as músicas de Velvet Undergound funcionaram comigo como calmantes para a alma, os livros do Prémio Nobel foram o oposto: um despertador mental e moral, um gerador de inquietação, desconforto até, que me fez pensar no mundo, para além do meu quintal.

Este domingo morreu Philip Seymour Hoffman. Não posso dizer que tenha sido um choque tão grande como os dois exemplos anteriores mas, mais uma vez, senti esta perda. Admirava-o profundamente quer pelo seu talento inegável quer pelas escolhas que fez ao longo da carreira, num percurso muito ligado ao cinema independente americano. E se disser que um dos meus realizadores preferidos de sempre é o Paul Thomas Anderson, com quem Hoffman trabalhou por diversas vezes, a minha afeição pelo actor americano encerra aqui a sua explicação.

Estranha capacidade esta a de sentir que se é próximo de alguém com quem nunca se teve o menor contacto pessoal, de quem não se conhece nada mais para além da representação que a pessoa projectou para si, no mundo e nos outros.

Aqui, a proximidade não se esgota nas distâncias, nos bairrismos, nos nacionalismos, no domínio social ou profissional mais ou menos comum. É uma proximidade que tem a ver com outro tipo de coisas e todas elas partem de um denominador comum: uma identificação pessoal. Um sentimento de partilha, da ordem dos valores, dos interesses, dos elementos que nos definem, não como cidadãos ou profissionais, mas antes como pessoas.

"I can only connect to people through movies". Não é sempre, mas grande parte das vezes.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Partir para ficar

Sempre tive o objectivo de viver num outro país, nem que fosse por pouco tempo. Aquela ideia adolescente de me integrar numa cultura diferente, de conhecer novas pessoas e de viver experiências extraordinárias!

Hoje, por força das circunstâncias económicas e sociais, tenho a convicção de que o meu futuro pode mesmo depender desse passo. E talvez por isso, por existir essa obrigação externa que eu não controlo, sinto que parte da vontade de outros tempos se perdeu.

O ser humano não gosta de arcar com imposições, não gosta de ser obrigado a nada. E agora que vejo uma geração em fuga, por factores que a ultrapassam, tenho cada vez mais vontade de ficar.

Um grande amigo meu volta amanhã do Brasil. Estou feliz. 



 O gato foi ele que me ofereceu, algum tempo antes de ter partido.

Green



"There are few plants that are ugly. It's how you use them that may not be pretty"
Christian Louboutin


Girls: mais do que uma série para raparigas


Não sou fã de séries femininas. São (quase) sempre histórias superficiais (o amor estilo pastilha elástica e a objectificação constante) e personagens estereotipadas com as quais não me identifico. E foi por isto mesmo que quando tive conhecimento da existência de Girls nem sequer fiz caso e continuei concentrada nas minhas Breaking Bad, Homeland, House of Cards e afins.

Como se à partida o meu preconceito não bastasse, as críticas à série afastaram-me dela ainda mais. 

James Franco, actor que aprecio bastante para lá dos seus atributos físicos, foi dos primeiros a opinar de forma depreciativa, num artigo publicado no Huffington Post. Outros comentários negativos circularam pelas redes sociais e acabei por decidir que não ia  perder tempo com a série. E fiz mal.

Há poucas semanas, num dia frio e chuvoso, estava eu embrulhada num forte de mantas a fazer zapping na televisão, quando um programa me fez parar a ginástica no comando. Deixei-me ficar. Era o primeiro episódio de Girls. Vi-o até ao fim e depois quis ver o segundo. Fui à Internet. E depois vi o terceiro. Em poucos dias, acabei as duas primeiras temporadas e, de certa forma, pus de lado o preconceito em relação às séries femininas.

Girls é feminina, sim. Mas é mais do que isso. É uma série para raparigas de vinte e poucos anos que explora os assuntos que realmente as preocupam, num tom moderno, actual e sem recorrer às muletas fáceis que são os sapatos e as malas e a maquilhagem e etc., etc., etc.. 


Acabar a licenciatura e a insegurança por não se saber o que vai acontecer a partir daí. As expectativas. A procura de emprego. A luta pela independência. As pressões familiares. As amizades que se deterioram. O sexo. O amor. O desencanto que a idade adulta nos provoca. Girls é tudo isto combinado com um humor particularmente inteligente e um look visual muito atractivo.

Lena Dunham é não só a criadora, argumentista e produtora de Girls, como também a sua protagonista. Hannah, assim se chama a sua personagem, é uma aspirante a escritora e o motor de toda a trama. 

Uma jovem que lida com todos os problemas que as jovens da sua idade enfrentam, quer vivam em Nova Iorque, em Lisboa ou em qualquer outra cidade cosmopolita. 

O facto de Hannah não ser especialmente bonita e ter alguns quilos a mais tornam-na num elemento de identificação natural: ela é uma de nós.


Claro que o romance faz parte, bem como os desgostos que daí resultam. Mas tudo de uma forma que nos é familiar, sem o glamour que vemos, por exemplo, na famosa "O Sexo e a Cidade". 


Há quem diga que Lena Dunham aproveita todos os momentos para aparecer nua e que a sua figura sem roupas é embaraçosa. Sou de opinião diferente. As cenas de nudez de Lena parecem-me verdadeiramente refrescantes no panorama televisivo e hollywoodesco actual pelo facto de ela mostrar todas as suas imperfeições sem pudor, de forma surpreendentemente natural e sem cair no lado gratuito e fácil da questão.



 Girls é uma série de raparigas, para raparigas. Mas o seu valor existe para além desta premissa. Sem a estilização dos objectos mundanos em prol de um qualquer sentido universal de beleza ou ideal de vida, Girls é real.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Dans Paris





Tom Palumbo é conhecido pelo seu trabalho como fotógrafo de moda, especialmente na captação dos ambientes criados por dois dos maiores directores de arte de sempre, Alexy Brodivitch da revista Harpers e Alex Lieberman da Vogue.

Mas o que eu mais aprecio na obra deste fotógrafo americano de ascendência italiana, são as fotografias que tirou nos cafés de Paris nos anos 60. 

Os tons e a energia das imagens e depois a intimidade retratada de forma tão espontânea e natural como se a câmara fosse um elemento observador e, ao mesmo tempo, um objecto cúmplice, em cena.

Miu Miu Spring/Summer 2014





Miu Miu Spring/ Summer 2014 
Elle Fanning e Elisbeth Olsen por Inez & Vinoodh


Há campanhas bonitas e depois há campanhas quase perfeitas. Esta da Miu Miu é um destes últimos casos. 

A marca junta o melhor de dois mundos: a moda e o cinema. A colecção, feminina mas arrojada, é um pequeno pedaço de céu para a vista e quem a protagoniza são duas jovens promessas do cinema americano. Elle Fanning (primeira e segunda fotografias) e Elizabeth Olsen (sim, é a irmã mais nova das gémeas) além de belíssimas são mais talentosas do que o normal para os lados de Hollywood. Além disso, é-lhes reconhecido um excelente bom gosto.

Confesso que apesar de ser fã do percurso da mais nova das Olsen (vejam o filme Marcy, Martha, May, Marlene e comprovem), aqui Fanning é a minha preferida. O seu ar angelical enquadra-se de forma harmoniosa na estética Miu Miu, como se tivesse nascido para dar a cara pela marca.



'Inside Llewyn Davis'




"Folk singer with a cat. Are you queer?"





Jean Berkey: "Do you ever think about the future at all?"

Llewyn Davis: "You mean like flying cars, hotels on the moon, Tang? You mean like move to the suburbs, have kids?"

Jean Berkey: "That's bad?"

Llewyn Davis: "If that's what music is to you, a way to get to that place, then yeah, it's a little careerist and it's a little square and it's a little sad."

                                   "Inside Llewyn Davis" (2013),  Joel and Ethan Coen

Primavera Sound é amor

Não sei se já viram mas esta é a melhor coisa do dia, da semana, do mês, (do ano?).

 

Ando a namorar o Primavera Sound de Barcelona há alguns anos. Infelizmente nunca tive disponibilidade nem poupanças para ir a este que é um dos melhores festivais de música da Europa (sim, música, música a sério).

Se o Optimus Primavera do Porto ficar muito aquém desta maravilha de line-up, acho que sou menina para este ano decidir-me finalmente a ir a terras espanholas! Veremos!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Introdução à culinária



Nunca tive jeito para a cozinha. Ou melhor, nunca tive interesse pela cozinha.

Para complicar o problema, a casa onde vivo em Lisboa há já uns anos (mal vejo a hora de me mudar) não tem as melhores condições para aventuras culinárias mais rebuscadas: a cozinha é pequena e serve oito pessoas e a louça e os utensílios estão sempre a desaparecer.

Porém, agora que percebi que uma mulher não pode viver em saladas e conservas para sempre (sabes que estás a ficar velha quando o atum de lata já não te satisfaz), decidi dar um pontapé nos obstáculos e fazer-me às poucas panelas e travessas que ainda restam nesta casa. Descobri que o que é preciso é ter um pouco de vontade e uma pitada de imaginação!

E quando tiver uma cozinha com mais um ou dois metros quadrados e uma bancada só para mim, aí sim, aí é que vai ser!


Cy Twombly - Beleza americana






"I sit for two or three hours and then in 15 minutes I can do a painting, but that's part of it. You have to get ready and decide to jump up and do it; you build yourself up psychologically, and so painting has no time for brush."

 Cy TwomblyScenes from an Ideal Marriage, 1986
Acrylic and pencil on paper


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Pure morning


Every morning we get a chance to be different. A chance to change. A chance to be  better, Your past is your past. Leave it there. Get on with the future part. 
Nicole Williams




Street Style


Tudo o que é preciso para sobreviver aos dias cinzentos: um bom lenço/cachecol/gola e um cão.



E claro, um belo chapéu.





Slowdive: o regresso mais aguardado de 2014?

 
Duas décadas depois de terem lançado o seu último albúm, 2014 parece ser o ano do regresso dos Slowdive.
 
Todos os rumores começaram no Twitter. Os membros da banda de culto inglesa, Simon Scott, Christian Savill, Nick Chaplin and Rachel Goswell, iniciaram uma contagem decrescente que irá atingir o zero esta quarta-feira, dia 29 de Janeiro. Entretanto, uma conta oficial para a banda foi criada na mesma rede social.

Os fãs de Slowdive, que esperam há anos por uma reunião do grupo, alimentaram a especulação na Internet.
 
Formados em 1989, os britânicos foram um dos grupos musicais mais influentes dos anos 90 e ainda hoje são uma referência do universo dreampop. A última vez que actuaram juntos foi a 21 de Maio de 1994, em Toronto.

Quarta-feira, chega depressa!

Os cães são os novos gatos


Para quem navega diariamente na web e, particularmente para quem é utilizador assíduo das principais redes sociais (tumblr, pinterest, facebook), esta notícia já não é nova. Os cães estão em todo o lado e a sua popularidade cresce a olhos vistos. Será este o fim do reinado do Internet Cat?
 
Não sabemos mas a verdade é que os cães são a tendência do momento. E quem parece estar a par deste movimento é a marca de roupa Trussardi que lançou recentemente uma campanha protagonizada exclusivamente por estes companheiros de quatro patas.

Fotografados por William Wegman, estes modelos especiais dão o corpo ao manifesto pela nova colecção de roupa masculina da marca. As poses são desembaraçadas e o resultado é a perfeita definição de cool.  Caso para dizer: awesome!





A Era do Jazz




F. Scott Fitzgerald é um dos meus escritores de eleição.  

As suas histórias descrevem de forma sublime os ambientes da Jazz Age americana e tecem uma crítica social aos costumes e vícios da época. 

Confesso que aprecio particularmente a estética dos anos 20 e o ideal do american dream. Talvez por isso, e pelo facto de o estilo literário de Fitzgerald ser boémio e pautado por um sentido de humor refinado, as suas obras conquistam-me sempre às primeiras páginas.

Hoje começo o This Side of Paradise.  A quem interessar o livro está disponível para tablets e smartphones aqui.



Hello World